sexta-feira, 2 de novembro de 2018

INDIO BRASIL















                                      - INDIO BRASIL –



Lá prás bandas
Do Norte.
Mora o velho Jorge
Na velha casa
De barro forte.

E o velho a contar
Do índio Brasil...
Peri ia caçar
Ceci ficava em casa
Com o Brasil pra criar.

Cabral gostou tanto
Que trouxe com ele
O branco estrangeiro
O preto mandingueiro
Pra morar com o Brasil.

O preto índio
O branco mandingueiro
O índio estrangeiro
Conta o velho Jorge
Pra formar o Brasil.



Matias Moreno – Indio Brasil. Álbum: Fonte Nova. “Ana Maria & Matias Moreno”. Bahia – 1997.































 Fotos: Bárbara Luana Brito





-SALÃO DE AUDIÇÃO -


Indio Brasil (Caiapó)
Álbum: Fonte Nova



Obrigado por vossa companhia... até breve !!!












segunda-feira, 1 de outubro de 2018

BATE - PÉ











                                                                 BATE - PÉ




O Vapor saio da Bahia
O camarote é na proa
A Modinha é tão bela
Dançou Maria em Lisboa.

O Jongo nasceu no Brasil
A Fôfa em Portugal
Em Paris o povo dança
O Lundu imperial.

A Modinha é fino cheiro
O Lundu terço de ouro
A Chula lenço de renda
Batuque broche de couro.

A Cabocla lava a roupa
A Mulata rala o coco
A Branca assa o bife
A Negra corta o bolo

O Engenho... a Senzala.
A Senhora... a Escrava.
Dom Pedro dançou Miudinho
Bate-Pé e Umbigada.

Bate-Pé, Bate-Pé, Bate-Pé...
Bate-Pé, Bate-Pé, bate na mão
O “Pregão” entrou na Villa
Sexta-feira da Paixão.



Matias Moreno, BATE-PÉ, Álbum: Bate-Pé. “Ana Maria & Matias Moreno”. Bahia – 2004.    







                                                 - SALÃO DE AUDIÇÃO -



                                                                     
 Bate-Pé (Bate-Pé)
Álbum: Bate-Pé




Até breve... obrigado pela companhia !!!






sábado, 1 de setembro de 2018

A PRECE




Foto: Simões







                                                                   - A PRECE –



O fifó...
O candeeiro...
A casa de taipa...
O barro vermelho.

No final do dia
Uma prece...
A Nossa Senhora
Da Guia.

É hora da cama
Chora a criança
A palha balança
É o amanhecer.

Chora, geme e ora
Na escuridão
A louca vadia
De solidão.



Matias Moreno, A PRECE, Álbum: Maré Alta, “Ana Maria & Matias Moreno”, Bahia-2005







Foto: Simões









- SALÃO DE AUDIÇÃO -


A Prece (Toada)
Álbum: Maré Alta






Obrigado pela companhia !!!  até logo...







quarta-feira, 1 de agosto de 2018

FOLKLORE





                                                             


FOLKLORE – É ciência de psicologia coletiva, observada através de pesquisas e todas as manifestações espirituais, materiais e culturais do povo. Nenhuma ciência, como o folclore, possui maior espaço de pesquisa e aproximação humana. Cultura do geral no homem, da tradição e do milênio na atualidade do heróico no quotidiano, é uma verdadeira história normal do povo. Seu nascimento nominal foi a proposta de William John Thoms (1803-85), na revista londrina ATENEU, em 22 de agosto de 1846, dando ao vocábulo folclore a expressão abrangedora da literatura oral, substituindo o Popular Antiquities. Thoms era arqueológo e o nascente folclore subordinava-se á Arqueologia e á História. Cem anos depois com a riche et mouvante complexité do objeto folclórico, como escreveu George Henri Riviére, a definição e campo de estudos constituem debate ainda aberto. A estreita interdependência com a Etnografia, Sociologia, Novelística, Psicologia Experimental, Antropologia Cultura, justifica a frase de A. Marinus: Il ne faut pas s’inquiéter de savoir oú commence, oú s’arréte le folklore. Para nós compreende o canto, dança, música e etnografia, desde que a participação popular mantenha as característica do fato folclórico, antiguidade, persistência, oralidade e permanência. A. van Gennep em carta a C. Nourry Saintyves, 8-XI-1935, declarava não ser possível precisar os limites do folclore, et l’on ne peut assigner des limites précises de nos jour, á aucune science, même aux sciences á base mathématiques. O próprio dogma do Le Folklore est em réalité, une étude de la mentalité populaire dans une nation civilisée (Saintyves), sofre modificações, pois há sempre uma ambivalência cultural no mundo, e todas as civilizações apresentam duas formas de conhecimento coletivo, o sagrado, hierárquico, religioso, e o popular, comum, tradicional. Desta maneira os povos rudimentares, os contemporâneos primitivos (George Peter Murdock) têm essas duas fases permanentes e paralelas de vida intelectual. A cultura é. Nessa acepção, o saldo da sabedoria na memória popular. Ao inverso do clássico Quotidiana Vilescunt, o quotidiano é uma força permanente de conservação e desenvolvimento. Sobre o problema da definição e objeto (ver P. Saintyves, MANUEL DE FOLKLORE, Paris, 1936.

André Veragnac, FOLKLORE, Napoli, 1946.

Luis de Hoyos Sáins, e Nieves de Hoyos Sancho, MANUAL DE FOLKLORE, Madrid, 1947.

J. Imbeloni, CONCEPTO Y PRAXIS DEL FOLKLORE COMO CIENCIA, Buenos Aires, 1943.

Jesús C. Romero, EL FOLKLORE EN MEXICO(discussão dos verbetes dicionarizados), no Boletim de la Sociedad Mexicana de Geografia y Estatistica), tomo LXIII, n. 3, 1947.

Melville J. Herskovits, FOLK-LORE AFTER A HUNDRED YEARS: A PROBLEM OF REDIFINITION, Jornal of American Folk-lore, vol. 59, n. 233.

Augusto Raul Cortazar, BOSQUEJO DE UMA INTRODUCIÓN AL FOLKLORE, Tucumán, Argentina, 1942.

Seán Ó Suilleabháin, A HANDBOOK OF IRISH FOLK-LORE, Dublin, 1942.

P. Sebillot, LE FOLKLORE, Paris, 1913.

A. van Gennep, LE FOLKLORE, Paris, 1924.

J. Leite de Vasconcelos, ETNOGRAFIA PORTUGUÊSA, vol. I, Lisboa, 1933.

Emma Emily Kiefer, ALBERT WESSELSKI AND RECENT FOLK-TALE THEORIES, Indiana University Publications, Bloomington, 1947.

Stith Thompson, THE FOLK-TALE, New York, 1946.

Franz Boas, RACE LANGUAGE AND CULTURE, New York, 1940.

Alexander Haggerty Krappe, THE SCIENCE OF FOLK-LORE, Londres, 1940

Conde de Puymaigre, FOLK-LORE, Paris, 1885.

Ismael Moya, DIDÁCTICA DEL F0LKLORE, Buenos Aires, 1948.

Vicente Garcia de Diego, TRADICIÓN POPULAR O FOLK-LORE, Revista de Tradiciones Popular, I, Madrid, 1944, etc.

Para informação do movimento e doutrinas no Brasil:

Basílio de Magalhães, O FOLCLORE NO BRASIL, 2º Ed., Rio de Janeiro, 1939.

Renato Almeida, HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA, Rio de Janeiro, 1942.

Joaquim Ribeiro, INTRODUÇÃO AO FOLCLORE BRASILEIRO, Rio de Janeiro, 1929.

Gustavo Barroso, AS COLUNAS DO TEMPLO, Rio de Janeiro, 1932.

Amadeu Amaral, TRADIÇÕES POPULARES, São Paulo, 1948.

Afrânio Peixoto, MIÇANGAS, São Paulo, 1931.

Afonso Arinos, LENDAS E TRADIÇÕES BRASILEIRAS, Rio de Janeiro, 1937.

João Ribeiro, O FOLCLORE, Rio de Janeiro, 1919.

Silvio Romero, ESTUDOS SOBRE A POESIA POPULAR DO BRASIL, Rio de Janeiro, 1888.

Raffaele Corso, LA NUEVA CONCEPCION DEL F0LKLORE, Boletim de la Asociación Tucumana de Folklore, vol. I, nº 9-10, Argentina, 1951.

Iouri Sokolov, LE FOLKLORE RUSSE, “Definition et objet”, Payot, Paris, 1945.

STANDARD DICTIONARY OF FOLK-LORE, AND LEGEND, ed. Funk and Wagnall’s  C.°, New York.

Raffaele Pettazzoni, MITI E LEGENDE, Turim, 1948).




Luís da Câmara Cascudo, DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, págs. 269-270, Rio de Janeiro, 1954.






                                                                    


                                                           - CAIPORA –




Lá vem o moleque pelado
Montado no porco-do-mato
Meu Deus !!! é sexta-feira
Estou perdido no mato.


Vai caipora... vai correr mundo
Montado no porco-do-mato
Apareceu o moleque pelado
É sexta-feira no mato.


Oh!!! Sinhá de terreiro
Oh!!! Senhor de engenho
O caipora foi embora
E levou o fumo inteiro.


Chô... chô... caipora, chô...
Deixa meu amor dormir
Vai embora pelo mundo
Vai e leva teus animais.



Matias Moreno, CAIPORA, Álbum: Cisca-Fogo, “Ana Maria & Matias Moreno”, Paris - 1996





                                                     - SALÃO DE AUDIÇÃO -



Caipora (Balanceio)
Álbum: Cisca-Fogo





Obrigado pela companhia !!!
até breve...












sexta-feira, 13 de julho de 2018

HEROÍNA SERTANEJA





 Foto - Professor Borges





                                              Heroína Sertaneja





Quitéria menina
Queria ser heroína
Maria escondida
Fugiu de São José.


Quitéria combateu
A Coroa Portuguesa
Era bravura e beleza
A cabocla sertaneja


Maria foi ao Rio
Quitéria falou ao Imperador
Maria mereceu
Quitéria voltou


Seu pai lhe abençoou
São José lhe perdoou
Maria Quitéria casou
E o Imperador até gostou




Matias Moreno – Heroína Sertaneja. Álbum: Fonte Nova. “Ana Maria & Matias Moreno”. Bahia – 1997.






Foto - Professor Borges





    Dois de Julho. "Ana Maria & Matias Moreno". Cachoeira-Bahia. 
(Foto - Professor Borges).








- SALÃO DE AUDIÇÃO -


Heroína Sertaneja. (Marcha-de-Rancho)
Álbum: Fonte Nova




Obrigado pela companhia... até breve !!!


























 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

CHORROCHÓ




                     
                                                

                                - CHORROCHÓ -




Batia o pé no chão
A Cabocla no Baião
Fechava a roda
De Umbigada
A Negrada do Rojão.


O couro comia
De cór e salteado
E vovó já dizia...
É na luz do querosene
Que o candeeiro suspira.


O casebre rodopia
Ao som do Violeiro
Do Fole e da Rabeca
Da Zabumba e do Pandeiro.


Vai “Cisca-Fogo”
Nesse palheiro
Catingueiro
E Catingueira
Do Chorrochó
No Forróbodó.



Matias Moreno – CHORROCHÓ. Álbum: Bate-Pé. “Ana Maria & Matias Moreno”. Bahia – 2004.



                                                       

                                 - SALÃO DE AUDIÇÃO -

                                
                                      Chorrochó (Baião)
                                       Álbum: Bate-Pé   







Obrigado pela companhia...  até breve !!!





segunda-feira, 21 de maio de 2018

O CARRANCISMO




Carranca - Marcia Berenguer Cabral



Buriti Palmas - Marianne North



Mestre Guarany - Anônimo



O Sono do Rio - José Lanzellotti



Caboclo-D'Agua - Eduardo Duval, Frata Soares e Andre Leão



O Rio - Raquel Galleno



Carranca - Otoniel Fernandes Neto



Carrancas de Proa - Marcel Gautherot



A Construção da Ubá - Edouard Riou





                                                         O CARRANCISMO 




A Carranca
No rio gemeu !!!
Gemeu... Gemeu... Gemeu.

Foi a Marajoara...
Foi a Risonha...
Foi a Amaralina...
Foi a Zuleica.

É madeira boa
É buriti...
É madeira boa
É barriguda...
É madeira boa
É imburana...
Que é macia
E não tem nó.

Corre a onça...
Corre a capivara...
No barranco
Do cais de Pirapora.

Carranca
Da cara feia
Meio homem
Meio bicho
De madeira.

Guarde
A minha Igaraçú
Me livre
Do Calundú
Da Carranqueira
Da Beira do Mulungú.



Matias Moreno – O CARRANCISMO. Álbum: Rua da Festa. “Ana Maria & Matias Moreno”. Bahia - 2010





                                                              
Rio São Francisco e o Forte Mauritz - Frans Post



Carrancas - Jurandir Assis



Barriguda Florida - Sergey Yarovoy



Onça-Pintada - Édouard Riou



Grutas Calcarias do Rio São Francisco - Percy Lau



Barca Antiga - Josinaldo Ferreira Barbosa



Barcos com Carrancas - N.E. do Vale do São Francisco



Rio das Velhas.(Afluente do Rio São Francisco) - Rugendas



Carranca do Velho Chico - Josinaldo Ferreira Barbosa



Barqueiros - Percy Lau





- SALÃO DE AUDIÇÃO -

O Carrancismo (Cantiga)
Álbum : Rua da Festa







Obrigado pela companhia... até breve !!!