terça-feira, 15 de agosto de 2017

O FOLCLORE



Menina Brincando de Cabra-Cega. "Orlando Teruz"


Crianças Pegando Côco. "Gentil Garcez"


Ciranda. "Marisa Lacerda"


                      CONGRESSO DE FOLCLORE - O primeiro Congresso Brasileiro de Folclore. Realizou-se no Rio de Janeiro de 22 a 31 de Agôsto de 1951. Sob a Presidência do Sr. Renato Almeida, Secretario Geral da Comissão Nacional de Folclore, convocado pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC), comissão da UNESCO para o Brasil. 
                    
                      Coube a iniciativa da convocação à Comissão Baiana de Folclore, por proposta do Sr. José Calasans Brandão da Silva. Dez grupos de trabalho examinavam os estudos enviados: 

                      Coordenação, Nomenclatura e Classificação, Pesquisa e Registro, Divulgação e Intercâmbio, Literatura Popular, Crendices e Superstições, Artes Populares, Música Popular, Demonstrações Folclóricas, Folclore e Educação, Folclore e Economia, Redação Final. 
                   
                     O Congresso foi instalado pelo Ministro Das Relações Exteriores, João Neves da Fontoura e encerrado pelo Ministro da Educação e Saúde, Simões Filho.
                   
                     Representaram-se a American Folklore Society, Centro de Estudos Antropológicos do Paraguai, Associación Folklórica de Tucumán, Argentina, Instituto Etnológico Nacional da Colômbia e um delegado de Portugal, único convidado oficialmente, Prof. Jorge Dias.
                 
                    O Congresso votou a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO além de recomendações dos assuntos vitais da disciplina. Houve um programa variado e Demonstrações Folclóricas.
                   
                    Foram apresentadas ao Congresso cento e setenta e cinco Teses.  As conclusões doutrinarias aprovadas pelo Congresso em sua CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO foram essencialmente as seguintes:

I) O primeiro Congresso Brasileiro de Folclore reconhece o estudo do Folclore como integrante das Ciências Antropológicas e Culturais, condena o preconceito de só considerar folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda sua plenitude, quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.

II) Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou á renovação e conservação do patrimônio cientifico e artístico humano ou á fixação de uma orientação religiosa e filosófica.

III) São também reconhecidas como idôneas as observações levadas a efeito sobre a realidade folclórica, sem o fundamento tradicional, bastando que sejam respeitadas as características do fato de aceitação coletiva, anônima ou não e essencialmente popular.

IV) Em face da natureza cultural das pesquisas folclóricas, exigindo que os fatos culturais sejam analisados mediante métodos próprios aconselha-se, de preferência, o emprego dos métodos históricos e culturalistas no exame e análise do Folclore. As Teses apresentadas no congresso foram:

Adão Carrazzoni: Trovadores do Rio Grande do Sul;

Adígena Castelo Branco: Danças Alagoanas do Ciclo do Natal;                                                    
Agenor Lopes de Oliveira: O Cordão e os Capoeiras;

Aires da Matta Machado Filho: A Festa do Divino e os Caboclinhos em Diamantina, Minas Gerais e Folclore e Educação;

Aldo Obino: Em Torno da Colheita Folclórica da Música sul- rio- grandense da Região Serrana, Procedida no Verão de 1946;

Alexandre Lopes Bittencourt: A Feira de Caxixi;

Alfredo Povina: La Sociologia del Folkclore;

Alonso Aníbal da Fonseca: As Congadas Atuais, caso de sincretismo total;

Aloisio de Almeida: Contos Populares Colhidos no Sul de São Paulo;

Angélica Resende G. de Paiva: Lenda de Pirapora – Dança de São Gonçalo – Dança do Carneiro – Cantiga de Reis (variante) Pirapora, Minas Gerais;

Antonio Monteiro: A Presença de Olo-Rún no Culto Afro-Baiano;

Antonio Joaquim de Andrade e Almeida: Fotografias do Museu do Ouro, Sabará, Minas Gerais;

Antonio Osmar Gomes: Tradições do Baixo São Francisco:

Arlindo de Souza: Estudos de Etnografia Portuguêsa;

Arnaldo Tavares: Folclore Médico Rural – Crendices Populares Sobre a Bouba;

Bento Aguedo Vieira: Contribuição ás Pesquisas Sobre a Folia do Espirito Santo em Santa Catarina:

Bruno Meneses: A Evolução do Boi-Bumbá:

Cacilda Borges Barbosa: Estudos Brasileiros para Canto;

Carlos A Miller: Poesia Popular(Trabalho Póstumo com Introdução e nota de Walter Spalding;
Clovis Melo: O Folclore como Fator de desenvolvimento da Literatura Brasileira;
Comissão Catarinense: Inquéritos Realizados pela...;
Comissão Paulista: O Fato Folclórico;
Conceição Borges Ribeiro: Alguns Aspectos do Culto a Nossa Senhora Aparecida;
Dante de Laytano: Folclore no Rio Grande do Sul (Tradições do Ciclo Agro-Pastoril);
Darcy Azambuja: Crendices e Superstições da População Rural Sul-Rio-Grandense;
David Carneiro: Tropeiros do Planalto e coisas do seu uso;
Déa Souza: Instrumentos Musicais Ameríndios;
Domingos Vieira Filho: Folclore no Maranhão;
Emmanuel Djalma de Vicenzi: Arte Popular;
Ênio de Freitas e Castro: As Cavalhadas de Vacaria;
Ernesto Cruz: Festas Populares do Pará – Costumes e Tradições e Aves Lendárias da Amazônia;
Esther Pedreira: Folclore Musicado da Bahia;
Evanira Mendes: Dorme – Nenês;
Fausto Teixeira: A Flora na Quadra Popular Mineira:
Florival Seraine: Estudos de Lexicografia e Semântica Cearenses e Estudos Folclóricos e Etnográficos Cearenses;
Frank Goldman: Comunicação sobre alguns aspectos do Folclore Norte-Americano no Brasil;
Frederico Lane: Notas sobre As Rabecas do Ribeirão Fundo;
Fulgêncio Pinto: Natal no Maranhão;
Gastão Justa: Notas sôbre o Folclore;
George Colman: Os Mistérios das Selva;
 Levi Getúlio Cesar: Os Donos de Algumas de Nossas Estórias;
Guilherme Santos Neves: “E” Paragógico, o Alardo, Ticumbi, Poesia Popular das Rimas das Quadras Sôltas e Representações Gráfica da Linguagem Popular;
Gustavo Barroso: Origem do Jaraguá, a Guerra do Paraná, Trovadores e Cantadores, O Folclore das Guerras do Sul e o Padre Cicero e o Folclore;
Henrique Fontes: O Pão por Deus;
Henriqueta Rosa Fernandes Braga: O Cancioneiro Folclórico Infantil como Fator de Educação;
Hermógenes Lima Fonseca: Tentativa de Sistematização;
Hildegardes Cantolino Viana: Contribuição para o estudo da Cozinha Bahiana;
Isabel Vieira: Folia de Reis em Guaxupé (Sul de Minas);
Ivan Pedro de Martins: Sistematização do Estudo Folclórico;
João Batista Conti: Atibaia Folclórica, Influencia Ameríndia na Música Folclórica do Nordeste;
João Batista Xavier: Festa de São Cosme no Arraial;
João Dornas Filho: Trovas Populares, A Sucuri e o Lendário Popular e Seitas e Crendices Populares do Brasil;
João dos Santos Areão: O Cigarro de Palha;
João Ribas Costa: Canoeiros do Rio Santa Maria;
Joaquim Ribeiro e Wilson W. Rodrigues: Romanceiro Tradicional do Brasil no Século XIX;
José Albertino Rodrigues: Denominações Extra-Oficiais da Cidade de São Paulo;
José Aluísio Villela: O Côco de Alagoas;
José Calasans Brandão da Silva: Aspectos Folclóricos da Cachaça;
José Coutinho de Oliveira: Traba – Lenguas e Trocadilho, Contribuição do Estudo da Poesia Popular e Orações e Ensalmos;
José Loureiro Fernandes: A Congada da Lapa – Notas  para a Festa de São Benedito;
José Siqueira: Sistema Trimodal Brasileiro;
Lauro Palhano: Burundangas;
Leon Clerot: Três Lendas do Livro Inédito, A Botânica no Folclore do Brasil;
Hal de Moura: Estudo da Linguagem Popular;
Lizette T. R. Nogueira: O Ensino do Folclore no Brasil;
Lucy Teixeira: Rodas Infantis;
Luís Carlos de Moraes: O Uso do Couro no Passado Sul-Rio-Grandense;
Luís da Câmara Cascudo: Os Mitos Amazônicos da Tartaruga e o Poldrinho Sertanejo e os Filhos do Vizir do Egito;
Luís Gomes G. de Freitas: Arreios Gaúchos;
Luís R. de Almeida: Achegas Folclóricas Sôbre a Música Popular;
Maria de Lurdes Borges Ribeiro: Calendário Folclórico de 13 Cidades do Norte do Estado de São Paulo, Festa de São Benedito de Aparecida e Chico Santeiro, um Artista  de Aparecida;
Maria Pavão Von Bassewitz: Mitos e Lendas, Crendices e Superstições na Medicina Popular do Brasil Austral;
Maria Silvia Pinto: Influencia do Folclore na Música Erudita;
Mariza Lira: Afinidades do Folclore Italiano e do Folclore Paulista;
Moacir M. F. Silva: Provérbios Meteoro-agrícolas em Língua Portuguêsa, Fazer Chuva e Fazer a Chuva, A Mãe do Ouro, Alguns Nomes de Chuva e Ventos e outros têrmos de Weather Lore no Brasil e a Geografia e o Folclore;
Nicanor Miranda: As Cavalhadas de Atibaia;
Nunes Pereira: Sahiré e Marabaixo;
Odorico Pires Pinto: A Tatuagem como expressão Folclórica;
O. Ismaelino de Castro, M. Cavalcanti Proença e José Ramos: O Folclore e o Ensino de Português no Curso Secundário;
Oracy Nogueira: Introdução a Metodologia da Pesquisa Social;
Osorio Nunes: O Folclore aplicado ao Turismo;
Oswaldo R. Cabral: Os Calungas de Barro Cozido, Antigos Folguedos Infantis de Santa Catarina e a Necessidade do Aparelhamento das Comissões Estaduais de Folclore;
Otavio Nunes: Arraias;
Othelo Rosa: Um Enigma do Folclore Gaúcho;
Othon Xavier de Brito: Lendas Carajás;
Paulo Jatobá: Benditos na Bahia;
Patrício Guerra: Notas Folclóricas;
Plinio de Almeida: Folclore Canavieiro do Santo Amaro, Recôncavo da Bahia e Dendro-demografia;
Pórcia G. Alves: Canções de Roda;
Raymundo de Souza Brito: Festa do Alardo em Cairu, Bahia;
Renato José Costa Pacheco: Advinhas (Classificação e Análise T-II-8) e o Jogo do Bicho e a Musa;
Rossini Tavares de Lima: Fórmulas para terminar estórias, quadro comparativo de alguns fatos folclóricos coreográficos musicais no presente e no passado de 87 cidades paulistas, O Erudito e o popularesco na Música Folclórica; Dança de Velhos, Notas sobre o Romance de Antoninho e Recomendações de Almas, uma tradição que não desapareceu;
Saul Martins: Folclore das Caçadas;
Silvio Júlio: Linguagem Popular dos Gaúchos, Querência;
Silvio Salema Garção Ribeiro: Canjerê – Macumba Brasileira – Fetichismo e o Racismo e a Música;
Théo Brandão: Os Maracatus de Alagoas, Romances do ciclo do gado em Alagoas, Cheganças e Fandangos de Alagoas e o Auto dos Cabocolinhos;
Urbano V. G. Salles: Pescadores de Nossa Terra;
Verissimo de Melo: Estórias de Caboclo, “Wellerism”, Dialetos Infantis, Maneiras de Dizer, Quem Dinheiro Tiver, Quadrinhas Populares, Amigo da Onça, Gíria de Futebol, Há quatro coisas no Mundo, e Silva de Comparações:
Vitor Peluso Junior: Geografia e Folclore;
Walter F. Plazza: A Cerâmica Popular Catarinense, Fandangos e Ratoeiras e o Lobisomem;
Walter Spalding: Superstições de Sexta-Feira Santa e Festas de Natal, Ano Novo e Santos Reis;
Wanda K. Vianna Monte: Cantos de Trabalho e Sinfonia Cabocla;
Yvonne Jean: A Necessidade de Incentivo aos Trabalhadores Artesanais;
Frederico Lane, Jamile Japur e Rossine Tavares de Lima: Notas sobre o atual Batuque ou Tambu no estado de São Paulo;
Elsa Dellior Gomes: Algumas notas sobre a influência francesa nas rodas Infantis;
Afonso Dias: O Batuque em Tietê;
Rossini Tavares de Lima: Os Caiapós, dança de inspiração ameríndia;
Rossini Tavares de Lima e Jamile Japur: Fórmulas Referentes a vender fiado;
Francisco Manoel Brandão: O Folclore e as tradições a serviço da Propaganda, do Turismo e da Educação;
Com. Fluminense de Folclore: Folclore Fluminense – Melodias Populares e Folclore Fluminense - Lendas e Tradições;
Maria Dellia Millan de Palavecino: El Nandutti en el Litoral Argentino;
José Siqueira: A puxada de Xaréu na praia do Chega-Negra e os Cantos de Trabalho, Samba de Corrido, Samba de Chula, O Côco Praieiro e suas características e A Musga do Quilombo;
Ramón Cezar Bejerano: Corridas de Toro em Yaguaron;
Adolfo Acosta Meugarejo: Fiestas Populares en el mercado dos Bocas;
Juan A. Segovia: Los últimos Payaguá;
Léon Cadogan: La Rua de S. Juan;
Paulo de Carvalho Neto: Folclore Paraguayo – Brasileño (La creencia y el saber popular sobre la reprodución humana);
José Bezerra Gomes: O Brinquedo de João Redondo.

Luís da Câmara Cascudo: DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, págs.: 194 a 196, Rio de Janeiro – 1954.




Brincadeira de Criança. "Edesio Esteves"



Brincadeira de Criança."Ricardo Ferrari"



Ciranda de Roda. "Rosangela Borges"





- SALÃO DE AUDIÇÃO-



A Cobra da Àgua. (Bendito-Caboclo)
Àlbum: Rua da Festa


Obrigado... Amigos!!! por esse agradavel "Encontro".















sábado, 5 de agosto de 2017

O Forte do Mar




                                                          O Porto. "Carybé"
                                   


O Forte no Levantamento de 1759. "Caldas" 



Fundação da Cidade de Salvador. "Carybé"



                                                    O FORTE DE SÃO MARCELO 

“Sua fama correu por todo o Brasil. Personagens ilustres presas no Forte de São Marcelo ou Forte do Mar como também era chamado de Fortaleza N.Sª. do Pópulo. Teve a sua origem em 4 de outubro de 1650 segundo alguns documentos de reforma do Forte. Segue abaixo os nomes ilustres presos na enxovia do Forte".

"Thomas Lindley – Preso em Porto Seguro por contrabando de Pau-Brasil em 1802.“Thomas Lindley, chega preso em Salvador no dia 26 de setembro de 1802, sendo recolhido dois dias depois com a sua esposa para os calabouços inferiores do Forte do Mar”. Esse Thomas Lindley, foi autor do livro: “Viagem ao Brasil” escrito em inglês em boa parte da obra ele narra o período em que ficou preso na Bahia”.

“O Forte de São Marcelo ou Forte do Mar, que é de forma circular, acha-se situado no meio do ancoradouro em bacia de areia, em frente do Porto da cidade, e que é notável principalmente por nela ter tremulado pela primeira vez na Bahia a Bandeira Nacional no memoriável dia 2 de julho de 1822.” (Fonte do livro: “Centenário – 1500 à 1900” parte escrita pelo general Fontoura Costallat, a propósito da organização militar, Exército e Armada, Milícia Cívica e Fortificações.)

Preso nesta Fortaleza de N.Sª do Pópulo, o revolucionário, lendário Padre Roma “figura principal da revolução de Pernambuco. Seu nome verdadeiro era Dr. José Inácio de Abreu e Lima. Foi fuzilado na manhã de 2 de março de 1817, no Campo da Pólvora depois Campo dos Mártires.”

“Também preso neste Forte, outro revolucionário gaúcho, Bento Gonçalves, teve fuga espetacular: Ao fugir, molhou às pólvoras, amordaçou e amarrou um vigilante e pulou para o mar, a noite, um barco pequeno estava a sua espera.”Foi comentado na época que a fuga de Bento Gonçalves a Maçonaria ajudou na fuga".

Vários estudantes relapsos, vindo dos Colégios dos Jesuítas e de outros estabelecimentos tradicionais da Bahia, mandavam irem presos por longos dias no Forte do Mar.”

“O maior de todos os revolucionários do Brasil, também foi preso na masmorra do Forte, seu nome era quase uma lenda viva: Cypriano José Barata de Almeida, nasceu em Salvador, no dia 26 de setembro de 1762 e faleceu em 1º de junho de 1838 no Rio Grande do Norte. ( foi preso várias vezes como conspirador, tendo sido um dos tenazes propagandista da Revolução de 7 de abril de 1798 – refere-se a Revolução dos Alfaiates.” ( Fonte do livro: “ A Margem da História da Bahia” – autor: Francisco Borges de Barros – Diretor do Museu do Estado (na época da publicação do livro na Bahia em 1934).

O Forte do Mar aderiu a Sabinada desde o inicio, e foi a derradeira posição dos revoltosos que a tropa Imperial ocupou na manhã de 16 de março de 1838”.

"Um dos chefes da Sabina, o mais importante Dr. Sabino Vieira, também ficou preso neste Forte, somente pouco tempo. Sendo transferido para a fragata Príncipe Imperial, prisão marítima".

“Em fins do século XVIII, conforme notícias de Vilhena, o Forte serviu de prisão dos estudantes relapsos e indisciplinados. Considerado o Forte a mais segura da cidade.”

"Preso neste Forte o Brigadeiro Carlos César Burlamaqui, governador de Sergipe, deposto pela Junta Governista da Baía, a qual pretendia reduzir aquela Província a subalternidade da Comarca em 1821".

"Preso o Capitão Poncio e um Padre Olavo, em setembro de 1823 por andarem espalhando panfletos “doutrinas perversas e mui perigosas”. disse: Aciolli, Amaral, II pp.95/96). 

"Preso por ordem do comandante do exército pacificador, coronel Joaquim José de Lima e Silva, o major João José da Cunha Fidué, que comandava a resistência portuguesa contra a nossa emancipação política do Piauí e no Maranhão. Sendo capitulado em Caxias do Sul em 1824.”

Preso neste Fortaleza, o administrador da “Imprensa Nacional, Francisco José Corte Imperial por crime de injúrias impressas a mando do brigadeiro Gordilho de Barbuda.. Foi também prisioneiro da bastida o coronel Antonio de Sousa Lima. Herói defensor de Itaparica na guerra de Independência.”

Preso no período de 1832 a 1833 o célebre agitador das massas, o “homem de todas as revoluções” Cypriano José Barata de Almeida, o famoso “Baratinha” como lhe era chamado. Foi hóspede forçado do propugnáculo.”

Preso em dois anos, o famoso general da “Farroupilha” Bento Gonçalves da Silva, cuja fuga sensacional está assinalada nas páginas da História Nacional.”

Preso num dos cárceres do Forte, um famoso desordeiro e valentão de colarinho e gravata, João José Alves. Individuo da laia daqueles que outrora o povinho denominava “branco estourado”. Por ordem do chefe de polícia da Província e futuro barão de São Lourenço, Francisco Gonçalves Martins, em 1856.”

Preso, já no fim do século, em 1890 o Brigadeiro Barão de Sergi, réu de crime comum.”

A História do Forte do Mar registra três casos de prisões coletivas. A primeira dos implicados na malograda Federação do Guanais. A segunda da Sabinada com cerca de trezentos dos seus partidários. A terceira, foi dos maiores culpados da Insurreição dos Malês, em janeiro de 1835.”

Foi preso o inglês Tomás Lindley, por contrabando de pau-brasil em Porto Seguro, estava recolhido ao Forte, em 1803, mas ficou poucos dias, transferido para o Forte do Barbalho e de lá, por ter muitas regalias, fugiu em um dos seus passeios, indo para a Espanha e de lá para a Inglaterra. Em seu relato, no livro de suas aventuras e impressos; “Narrativas de uma viagem ao Brasil”, descreve o interior do Forte, com minúcias. Já naquela época chamavam o Forte de São Marcelo ou Forte de Nossa Senhora Del Pópulo. Escreveram os cronista da época que, no caso de Tomás Lindley e Bento Gonçalves, “ que suas fugas tinham origens de fatos, na Maçonaria” outros não afirmam mas, não descartam a corrupção.”

"Fortaleza de São Paulo da Gamboa. Preso neste Forte o padre Roma, transferido do Forte de São Marcelo. Emissário dos revolucionários pernambucanos em 1817 e julgado, esquartejado e morto nesta cidade.”
(Fonte do livro: “Fortificações da Baía” – Autor: João da Silva Campos)

" A Fortaleza Nossa Senhora do Pópulo ou São Marcelo, vulgarmente conhecida como Forte do Mar, teve sua origem na Carta Régis de 4 de outubro de 1650, determinando “ quando convinha fazer-se um Forte no baixo surgidouro dessa Bahia”. Foi construído pelo Engº francês Brigadeiro Jean Massé com início em1714.

"A idéia de sua construção é do governador Conde de Castelo Melhor, que iniciou logo a obra, sob risco do engenheiro Francês Pedro Gorin. Foi continuado pelo Conde de Atouguia e pelos seus sucessores, parando a obra inúmeras vezes por falta de meios. Em fins do século 17 estava a obra concluída.”

(Fonte fornecedora: Conforme documento de Luiz Meneses Monteiro da Costa, Certidão de Nascimento da Fortaleza de Nossa Senhora Del Pópulo, que retifica nessa documentação, em Tese, tudo quanto se vinha repetindo sobre o célebre Forte.)

Note Bem : As declarações acima foram extraídas do livro: “Reise in Brasilieu” – Autores: Von Martius e Von Spix – Traduzido por Pirajá da Silva e publicado em 1916)

  




Forte de São Marcelo. "Lady Maria Callcott"
                                                                               




                                                   O Porto. "Carybé"




                                                 - Salão de Audição -
                                           

                             O Forte do Mar (Batuque). Álbum: Boa Viagem
                                         





            Ate Breve...  Amigos !!!  Muito Obrigado por Vossa Agradável Companhia.  





                                                                        







































terça-feira, 25 de julho de 2017

A Mata Virgem



                                  Indios Flechando Uma Onça. "Johann Moriz Rugendas"  


                                     

                          Paisagem na Selva Tropical Brasileira. "Johann Moritz Rugendas" 




         Arvore Gigantesca na Selva Tropical Brasileira. "Johann Moritz Rugendas".



                
             “Depois que Itaquê ofereceu a Ubirajara o cachimbo da paz e com ele trocou a fumaça da hospitalidade, os Cantores entoaram a saudação da chegada:                                                                       

                  “O hóspede é mensageiro de Tupã. Ele traz a alegria à cabana; e quando parte, leva consigo a fama do guerreiro que teve a fortuna de o acolher.
                 
                  “Nas tabas por onde passa e na terra de seus pais ele conta aos velhos, que depois ensinam aos moços, as proezas dos heróis que viu em seu caminho e de quem recebeu o abraço da paz.

                 “O hospede é mensageiro de Tupâ. Ele traz consigo a sabedoria; na cabana do guerreiro, que tem a fortuna de o acolher, todos o escutam com respeito.

                 “Em suas palavras prudentes, os anciões da taba aprendem, para ensinar aos moços, os costumes dos outros povos, as façanhas de guerras desconhecidas por eles e as artes da paz que o estrangeiro viu em suas viagens.

                 “O hóspede é mensageiro de Tupã. O primeiro que apareceu na taba dos avós da nação Tocantim foi Sumé, que veio donde a terra começa e caminhou para onde a terra acaba.

                 “Dele aprenderam as nações a plantar a mandioca para fazer a farinha; e a tirar do caju e do ananás o generoso cauim, que alegra o coração do guerreiro.

                 “O hóspede é mensageiro de Tupã. Quando o estrangeiro entra na cabana, o guerreiro que tem a fortuna de o acolher, não sabe se ele é um chefe ilustre ou o grande Sumé que volta de sua viagem.

                “O sábio ensina, por onde passa, os segredos da paz. E o herói, as façanhas da guerra; mas ambos deixam na cabana da hospitalidade a glória de ter abrigado um grande varão.

               “O hóspede é mensageiro de Tupã. Por seu caminho vai deixando a abundância e a festa; depois do banquete da boa-vinda as árvores vergam com os frutos e a caça não cabe na floresta.

              “A cabana, que fecha a porta ao hóspede, o vento a arrança, o fogo do céu a abrasa, o guerreiro, que não se alegra com a chegada do hóspede, vê murchar ao redor de si a esposa, os filhos, as mulheres e as roças que ele plantou.

             “Bem-vindo seja o estrangeiro na cabana de Itaquê, o grande chefe da nação Tocantim, que teve a glória de ser escolhido pelo hóspede.

         “Os guerreiros exultam com a honra de seu chefe, o os Cantores te saúdam. Mensageiro de Tupã.”

          Enquanto na cabana ressoa o Canto da boa-vinda, Jacamim, a esposa de Itaquê, chamou as amantes do marido, suas servas, para ajuda-la a preparar o banquete da hospitalidade.

           As servas pressurosas estenderam á sombra da gameleira as alvas esteiras de palmas entrançadas de airi; e colocaram sobre elas os urus cheios de farinha-d’água.

           Trouxeram também os camocins rasos onde se apinhavam as moquecas envoltas em folhas de banana, e peças de carne assada no biaribi, que ainda fumegavam nos pratos feitos de concha de tartaruga.

           Depois suspenderam a caça mais volumosa, veados e antas, assim com as igaçabas de cauim nos ramos inclinados da árvore, em altura que o braço do guerreiro pudesse alcançar.

           Frutas de várias espécies, pencas douradas de bananas, cachos roxos de açaí, os rubros croás e os fragrantes abacaxis, enchiam o jirau levantado no meio do terreiro".

(José de Alencar, UBIRAJARA “Lenda Tupy”. Págs.: 65 a 69, Rio de Janeiro, 1874).





Indios Coroados(Bororo).Sinal de Ataque. "Jean-Batiste Debret".




                                                                 

                                             Festa Nativa. "Teodor de Bry"



      
                      

                  
                                               - Salão de Audição -


                                  A Oca.(Banzabê) Àlbum: Boa Viagem  







                  

                         Até Breve... Amigos.... Obrigado pela companhia.     







  





                     
                 






 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Volta da Cabocla

Johann Moritz Rugendas. (Famille indienne. Botocudos) 



José Maria de Medeiros. (Iracema)


“No Brasil, no início da colonização dos portugueses, vivia na Bahia, na cidade que seria chamada mais tarde de São Salvador, Diogo Álvares Correa. Ele era um “galaico-minhoto” (região da Galícia), que naufragou nas águas do mar tenebroso, próximo à Bahia de Todos os Santos, nos baixos de Maiririquiig (Maraquita). Salvou-se matando dois pássaros com um arcabuze, sendo reverenciado pelos indígenas como amássununga, que quer dizer entre outros: O Trovão, Caramuru, a grande moréia, o dragão que surgiu do mar, homem de fogo. 

Foi assim que em 1509 Diogo Álvares Correia, o Caramuru tornou-se uma grande liderança entre os tupinambás, e como presente do cacique, podia se deitar com as mais belas mulheres. Dentre elas, escolheu Moema, concebendo os primeiros mestiços, que seriam mais tarde denominados de “Brasileiros”. Alvares Correira transformou-se em um grande negociante de pau-de-tinta, talvez o primeiro comerciante brasileiro. Comercializava com os franceses, porque Portugal abandonara o Brasil, nessa época, tendo olhos apenas para o comércio africano. O forasteiro passava muitas horas com Moema e também se afeiçoou a ela. Aprendeu-lhe a fala, o dialeto tupi, e confidenciou-lhe os segredos do seu mundo, um lugar chamado Portugal. Dizia: Na terra de onde vim, em última partida da localidade de Lisboa, não há aldeias e sim cidades com muitas casas feitas de tijolos e pedras, com portas e janelas, trancas de ferro e outros objetos, inclusive um tipo de tocha que clareia as noites. “O local se chama Viana do Castelo e sou uma pessoa distinta e de destaque na cidade, assim com são aqui na Aldeia os guerreiros Piatã e Itapuã.”

Dessa forma, aos poucos, Diogo, entre beijos ardentes, muito amor, ensinou Moema, sua língua estrangeira. Diogo era muito paciente com Moema e contou-lhe toda a sua história de sua vida.

Tendo demorado a aprender o tupi, a decifrar os códigos da linguagem tupinambá, ele despendeu longos períodos para explicar-lhe como e quando ocorrera o seu nascimento em Viana do Castelo, como se processara sua formação cultural desde pequeno, suas idas e vindas aos colégios e como aprendera a ler e escrever pois, em sua terra, havia tinta e papel para elaborar documentos e livros. Moema foi aprendendo com Caramuru.

Moema ficava encantada com as palavras de Diogo, principalmente com a “cidade”. Como seria isso?

O amor entre o vienense a indígena ia muito bem. Entretanto, um dia a história mudou. Diogo, que ajudava a proteger os seus indígenas amigos de outros mais ferozes, foi chamado às pressas para auxiliar o Cacique Taparica da guerra com outros indígenas. Com seus arcabuzes e sua astúcia bélica, saíram-se vencedores.

A noite, para comemorar, o cacique dessa tribo, chamado Taparica, fez-lhe uma festa na Aldeia e lá pelas tantas, apresentou ao Caramuru a sua filha mais bonita, a linda Paraguaçu. Ela lhe disse: “Meu nome é Quaydim-Paraguaçu” e ele embasbacado: “Sou Diogo Álvares Correia”.

Os dois ficaram enebriados e imediatamente se casaram dentro da tribo. Depois da Lua de Mel, Caramuru voltou à aldeia de Piatã e levou consigo Paraguaçu, consciente de haver encontrado a mulher dos seus sonhos nas terras dos brasilíndios.

Quando chegou a aldeia, Moema, sua primeira grande companheira, viu a nativa bela e ficou muito triste. Percebeu que tinha perdido o seu amado. Diogo então, não deu a menor atenção a Moema e nem as suas amantes. Só tinha olhos para Paraguaçu.

Diogo e Paraguaçu fizeram amor a noite toda e no dia seguinte ele anunciou que daquele dia em diante ela seria a única mulher da vida dele, consciente dos muitos “pecados” que havia cometido com outras tupinambás.O tempo foi passando, e Paraguaçu foi conhecendo as outras mulheres da tribo, de linhagem mais nobre, ente elas Indaiá e Inaciara. Fez muitas amizades.

Moema ainda tinha esperanças de recuperar o amado. Certo dia foi em uma pajelança e o xamã assegurou-lhe que a alma de Paraguaçu seria levada para o mundo do Bem, e se distanciaria do português.

Diogo resolveu levar Paraguaçu para a Europa, em 1528, para conhecer seus costumes. Seguiram viagem no navio de um francês, Jacques Cartier, amigo de Diogo e que lhe recomendou que não tivesse mais do que uma mulher. Esse navio foi pilotado por Pierre Du Plesis de Savoières.

No momento em que o navio partiu rumo ao oceano, Moema, sem dizer nada, lançou-se desesperada na água e nadou com fortes braçadas perseguindo a embarcação, gritando o nome de Caramuru, até que as velas sumissem no horizonte. O mesmo aconteceu com a tupinambá, que seguiu seu destino para o fundo do mar, morrendo por amor”.

Arilda Ines Miranda Ribeiro. MULHERES EDUCAÇÃO NO BRASIL COLÕNIA: Historias Entrecruzadas

                      
                                            

  Victor Meireles. (Moema)

Johann Moritz Rugendas. (Indiens dans leur cabane)


"O Carro da Cabocla"



                         “A “Volta da Cabocla” para o Pavilhão da Lapinha repete o movimento de desmobilização do Exército Pacificador, após a vitória contra os Portugueses na Bahia, em 1823.
                           No retorno à Lapinha, os carros emblemáticos que carregam as imagens do Caboclo e da Cabocla, que são puxados pelo batalhão do “Quebra Ferro”, voltam carregados de pedidos, orações, oferendas, flores e presentes.
                          São as imagens uma representação dos homens e das mulheres baianas do povo. Que lutaram bravamente contra a dominação Portuguesa. Provocam curiosidade. e até mesmo veneração. As crendices populares em torno das imagens é tão forte que muitas pessoas colocam bilhetes com pedidos nos carros, fazem orações, tocando com as mãos as imagens, acreditando na realização dos pedidos feitos ao Pé da Cabocla.
                        Esculpido por Manoel Inácio da Costa, o Caboclo representa os índios e mestiços baianos que lutaram pela independência da Bahia contra as tropas Portuguesas, derrotadas no 2 de Julho de 1823.
                       Somente em 1840 ou 1849 (há controvérsias quanto à data precisa), é que surgiu a imagem da Cabocla, representando a índia Catarina Paraguassu e a figura feminina nas lutas pela independência. Já as rodas dianteiras do carro que conduz a imagem da Cabocla são as mesmas de uma das carretas que carregavam os canhões utilizados pelos Brasileiros contra os ataques Portugueses.
                     “As comemorações se iniciaram no dia 25 de junho, com o “Encontro”, na cidade de Cachoeira, do Caboclo e da Cabocla, esta oriunda da cidade de São Félix”.
(FGM)



Julio Simmonds. (O sonho de Catarina Paraguaçú)

Johann Moritz Rugendas. (San-Salvador)







-SALÃO DE AUDIÇÃO -



A Cabocla (Modinha). Àlbum: Boa Viagem




Até breve... amigos !!! 
obrigado por vossa companhia...